sexta-feira, 4 de abril de 2014

JESUS - Unico Caminho.




"Eu sou o caminho, e a verdade e a vida..." (Jo 14:6)


A mensagem que Jesus nos ensina indica que não existe um lugar especifico onde podemos encontrá-lo, mas sim um mover - em espírito e verdade - literalmente um mover; que nos indica o “caminho” a seguir para poder encontrá-lo. Dia após dia, segundo após segundo. Não é o lugar que nos faz pertencer ao Reino dos Céus e muito menos o momento pela qual passamos, mas sim o caminhar por esse “Caminho”.
As “bem-aventuranças” que encontramos no Sermão do Monte (Mt 5) nos revela que o significado de felicidade plena, “sinônimo” dessas bem-aventuranças, não se refere a um determinado momento ou a um provável local. Não se refere a um dia onde se “aceitou” Jesus e nem muito menos a igreja(instituição) onde isso ocorreu.
Se o verdadeiro sentido disso tudo não for Jesus, todas essas coisas ficarão pra trás, no entanto tudo isso e muitas outras coisas servirão de impulso caso o próximo passo dado nos conduza na direção de Cristo, assim nos manteremos no “Caminho”.
Jesus diz no Evangelho de Mateus, capitulo oito, versículo vinte: “... mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Entendemos que não precisamos abdicar do nosso lar, das nossas raízes, família, amigos, igreja, etc. Porém se qualquer dessas coisas nos tirar o foco do “Caminho” devemos sim administrá-las, mudá-las ou até abandoná-las.
Portanto, não que a vontade de Deus na pessoa de Jesus, seja que fiquemos estagnados. Ainda que seja numa igreja, numa comunidade, num ministério, num compromisso firmado, num pensamento, numa convicção, numa tradição, numa doutrina. Se tudo isso por ventura nos desvia ou abstrai do “Caminho”, deve sim ser repensado.
A bem-aventurança está no “Caminho” e não num lugar onde se reclina a cabeça para descanso, ou onde se acomoda a mente, ou onde se estabelece conforto, pois nesse caminho essas coisas se tornam um paradoxo, simplesmente deixam de existir.
Nós seguimos este pensamento mesmo sendo pobres de espírito, chorando, sofrendo, sendo perseguidos, tendo sede de justiça e vendo tanta injustiça e, sobretudo pecando, mais ainda assim com tudo isso, estamos no “Caminho”, e sabemos que assim somos bem-aventurados.
 O caminho é sinônimo de movimento, é uma trajetória com um sentido bem definido, e que faz todo sentido. Vivemos nesta trajetória, lutamos para nos manter nesse caminho constantemente. Podemos sim pecar e estar no caminho, arrepender-se e continuar no caminho, seguir pecando e se arrependendo, morrendo e nascendo de novo, mas nesse “Caminho”.
Na primeira carta do Apóstolo João (1º Jo 1:8) fala sobre isso “se afirmarmos que estamos livres do pecado, estaremos apenas enganando a nós mesmos”, ou seja, estamos fora do “Caminho”.
Que sejamos bem-aventurados, estar no caminho é estar contra a inércia, é encontrar a felicidade em Cristo indo rumo ao Reino dos Céus. Que lutemos contra a religiosidade que nos torna estagnados, numa falsa sensação de conforto e santidade.
Estar no caminho não é sinal de garantia de que chegaremos ao nosso destino, mas é a única opção que temos para que isso possa acontecer.


Rodrigo Costa Meira.
https://www.facebook.com/rodrigo.costameira 

quarta-feira, 12 de março de 2014

COM DEUS DO INÍCIO AO FIM





Existe uma frase que costuma ser atribuída ao ex-presidente americano Abraham Lincoln que diz: “Se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”. Eu diria que podemos entender esse “poder” em todas as suas esferas e estâncias, por exemplo, o poder de se achar independente e capaz., já vou explicar o quero dizer com isso.

Qualquer palestrante de auto-ajuda diria que isso é extremamente necessário nos dias de hoje, mas aqui eu quero falar um pouco sobre o andar na dependência e  sob a direção de Deus, lugar esse onde a minha/sua vontade e capacidade se tornam um perigo imediato.

Hoje eu conversava com alguns amigos sobre a infeliz trajetória de alguns “astros” do cenário religioso do nosso país. São eles cantores, ministros, bispos, apóstolos, pastores, levitas, padres, etc. Falávamos sobre a vida e o testemunho de alguns deles e tentávamos fazer uma simples e humilde comparação ao que ensinou, com a própria vida, o nosso Senhor Jesus.

Ainda que a grande maioria deles comecem suas jornadas “separados” por Deus, cheios do mover do Espírito Santo e numa vida que em tudo reflete o viver em Cristo; com o tempo acabam se corrompendo, se perdendo em suas próprias convicções, deixando para trás a Luz que lhes servia de guia...

Um cantor gospel que nascera num lar cristão de gente humilde, que no começo do seu ministério não tinha nada além de Jesus, que encantava e quebrantava de maneira verdadeira os corações daqueles que o ouviam louvar, hoje em dia vive de modo completamente confuso, papagaiando um discurso egocêntrico disfarçado de evangelho, que num de seus mega-shows exigiu coisas que vão de energéticos, morangos, peito de peru, chegando até mesmo num cachê individual de R$ 60.000,00. 

Outra cantora que como disse meu amigo - “quando começou tinha um cabelo ruim” - mas que passava despercebido frente às maravilhas que Deus operava através da magnífica voz que soltava com palavras cheias da presença do Redentor. Essa mesma cantora hoje anda de maneira esnobe, rejeita quem tenta chegar até ela, mora em condomínio de luxo e não sai sem seus seguranças. Sem falar nas botas de couro de cobra, de U$ 5000,00 o par que ela mesma disse que comprou, e que ainda teve a ousadia de considerar como um ato profético (pisando na cabeça da serpente!!!)...

E o que falar dos homens e mulheres de Deus, pastores e pastoras que são chamados em ministérios realmente proféticos, mas que com o tempo abandonam a sã doutrina e se entregam as disputas de poder. Alguns chegam ao ponto de se colocarem quase que no mesmo patamar do próprio Senhor... São tantos que nem me dou ao trabalho de citá-los...

O que eu não entendo é que todas essas pessoas, todos esses “ungidos e ungidas” se declaram “novas criaturas” em Cristo, batem no peito e proclamam que suas vidas não existem mais e que no lugar delas existe o viver como o Messias!!

No entanto Jesus é descrito pelo apóstolo Paulo como aquele que mesmo sendo o nosso Deus, em momento algum teve a mínima pretensão de ser como Deus, mais que ao contrário, esvasiou-se de si mesmo e se fez servo, a ponto de entregar a própria vida por amor a nós (Fp 2:7)

Esse Jesus nos ensinou a orar e clamar pelo “pão-nosso de cada dia” (Mt 6:9-13), demonstrando que cada um de nós deve buscar aquilo que nos é definitivamente necessário para viver...
O problema é que com o tempo esses homens e mulheres perdem a noção do que é necessário, se sentem no direito de querer exigir de Deus uma vida farta e cheia de regalias, e nessa maneira de ser e viver profanam-se a si mesmos tornando-se sepulcros caiados cheios de soberba...

E como se não bastasse o erro que lançam sobre suas próprias vidas, passam a carregar o preço do sangue de tantos outros pobres coitados que os tomam como exemplos de uma carreira abençoada e próspera... Muitos querem ser como Thales, Valadões, Malafaias, Macedos, etc...

Todos nós erramos, todos nós pecamos, mas enquanto estamos caminhando na dependência do Senhor, temos a certeza de que contamos com a sua misericórdia e perdão, mas a partir do momento que o deixamos de lado e permitimos que a soberba encha o nosso coração, estamos perdidos, e aí pronto, nos tornamos corrompidos pelo poder.
Por isso deixo minha oração: Para que o Senhor me sustente e me mantenha junto Dele, do início até o fim...


Por Cristo, Com Cristo e Em Cristo
Idamar.
https://www.facebook.com/amendoimteologico 

terça-feira, 4 de março de 2014

Você Sabe como capturar porcos selvagens??




 


 
Essa ilustração já é bastante conhecida na internet, mas meditando sobre o nosso contexto e algumas coisas que vejo acontecendo o tempo todo por aí, me lembrei dela e achei conveniente compartilhar para aqueles que ainda não conhecem...

Você captura porcos selvagens encontrando um lugar adequado na floresta e colocando algum milho no chão. Os porcos vêm todos os dias comer o milho gratuito. Quando eles se acostumam a vir todos os dias, você coloca uma cerca, mas só em um lado. 

Quando eles se acostumarem com a cerca,  voltam a comer o milho e você coloca um outro lado da cerca. Mais uma vez eles se acostumam e voltam a comer. Você continua desse jeito até colocar os quatro lados da cerca em volta deles com uma porta no último lado. Os porcos que já se acostumaram ao milho fácil e às cercas começam a vir sozinhos pela entrada. Você então fecha a porteira e captura o grupo todo.
Assim, em um segundo, os porcos perdem sua liberdade. Eles ficam correndo e dando voltas dentro da cerca, mas já foram pegos. Logo, voltam a comer o milho fácil e gratuito. Eles ficaram tão acostumados  que esqueceram como caçar na floresta,  e por isso aceitam a servidão.

Em todos os lugares existem pessoas oportunistas tentando capturar porcos selvagens. O governo faz isso o tempo todo, também as empresas que exploram seus funcionários com miseráveis salários. Algumas instituições religiosas são peritas nisso, a mídia constrói cercas com a oferta do entretenimento fútil e tendencioso. E a perda da liberdade é tão alucinante a ponto dos porcos capturados olharem para os que estão livres e desdenharem um orgulho ignóbil.

A falsa oferta vem com o custo da perda da liberdade, e é feita assim, migalha por migalha...


Por Cristo, Com Cristo e em Cristo.
Idamar.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Liberdade com Responsabilidade






Alguém me disse outro dia que o problema dos “cristãos” de hoje é a GRAÇA! Logo que ouvi isso fiquei pensando se aquela afirmação fazia algum sentido. De certa forma o fez, já que o conceito atual de graça para muitos é o de ter liberdade para fazer o que quiser.


É interessante ver como as pessoas discutem aquilo que pode ser feito e o que não pode se fazer. Como usam textos aleatórios e fora de contexto para apoiar seus desejos e vontades “justificadas” com alguns versos da palavra.


Ao ministrar aos coríntios Paulo se depara com muitas situações em uma igreja “avivada”, cheia de “dons espirituais”, mas com um povo carnal e imaturo. Onde as discussões de quem estava certo ou errado eram mais importantes do que viver em comunhão. De pessoas que usavam da “liberdade” que tinham para levar outros a tropeçarem no caminho da fé. Segundo Eugene Peterson na versão A Mensagem, da bíblia,1 Co 8:9, “Mas Deus se preocupa quando alguém usa sua liberdade de modo irresponsável, levando algum companheiro de fé a desviar do caminho, devido a vida que levavam anteriormente”.


Somos livres, temos liberdade porque dependemos de Deus que nos supre, nos sustenta e nos auxilia em nossas fraquezas. A questão não está em poder ou não poder fazer algo, mas em saber que tenho um testemunho a zelar, que em todas as coisas devo glorificar aquele que digo ser o meu Senhor. Pois carrego o nome que está acima de todo nome, sou seu embaixador, sou parte de seu corpo nesta terra. 


Que minha liberdade não sirva de pedra de tropeço para os fracos na fé. Amém!





Incomodado,
que precisa melhorar
a cada dia.
Rodrigo



segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O PEQUENO KALLEL - UMA PARÁBOLA SOBRE O CUIDADO DE DEUS!







Certa feita fui a uma das belas cachoeiras da cidade de Faxinal com um grupo de amigos. Um deles, chamado Idamar, foi com sua esposa e filhos; o menor chamasse Kallel. Era um dia agradável: céu azul com bem poucas nuvens, o sol estava brilhando em toda a sua intensidade, e a temperatura estava elevada. Para chegar até a cachoeira passamos por uma trilha, uns trinta minutos de caminhada.

Enquanto caminhávamos, o pequeno Kallel, empolgadíssimo com a caminhada, não queria outro lugar senão estar a frente de todos. Se em algum obstáculo era necessário que um adulto passasse à frente, logo ele conseguia um jeito de tomar a dianteira novamente. Durante a caminhada ele não se preocupou em nenhum momento em estar perto do pai. Ele se sentia perfeitamente capaz de seguir a trilha e chegar à cachoeira conduzindo a todos.

Enfim, chegamos à cachoeira. A visão era esplêndida. E ali, uns trinta metros próximos ao pé da cachoeira, ficamos a contemplar aquela beleza da natureza por alguns minutos. Era o ponto alto da caminhada. Pois o objetivo da caminhada era chegar à cachoeira, com uma pitada de aventura.

Enquanto as nossas esposas se contentaram em se banhar nas águas próximas onde estávamos a contemplar a cachoeira, nós preferimos nos aproximar mais, e o pequeno Kallel foi conosco. Foi uma escalada de uns cinco minutos. Haviam diversas rochas escorregadias. Mas, ao chegarmos lá, a vista era muito melhor. Agora não apenas a víamos, mas a sentíamos bem próximo a nós.

Na posição anterior podíamos encará-la com muita facilidade. Mas, quando chegamos até onde a água caía, não conseguíamos mirar a cachoeira por muito tempo. O máximo que conseguíamos fazer era dar pequenas olhadelas. O vento era muito forte, e a água nos impedia de permanecermos a olhar detidamente.

A experiência de estar ao pé daquela cachoeira é indescritível. Não podendo fitá-la por muito tempo nos contentamos em sentar nas pedras, e ali permanecemos de costas para a cachoeira. Ali, sem poder contemplá-la fixamente, nos a podíamos ouvir, sentir seus respingos, o vento que ela gerava, e também sentir o cheiro agradável que aquela queda d'água proporcionava ao ambiente. Entre as rochas que a cercavam nos sentimos como em um santuário da natureza. Talvez ali também valesse as palavras de Deus a Moisés: "aqui é terra santa". A sensação era simplesmente indescritível.

Durante a caminhada a temperatura estava elevada, mas, ali, aos pés da cachoeira, devido ao frescor das águas, estava frio. Entretanto, aqui entra a lição que vi no pequeno Kallel. Enquanto escalávamos as rochas para chegarmos ao pé da cachoeira, no início foi difícil controlar o impulso desbravador daquele pequeno garoto. Porém, quanto mais nos aproximávamos, mais próximo ele ia ficando do seu pai.


Quando chegamos ao pé da cachoeira, embora estivéssemos no lugar mais belo e recompensador da caminhada - ali mesmo, onde vivíamos uma experiência contemplativa da beleza e sacralidade do lugar - o Kallel rapidamente buscou segurança nos braços de seu pai. Aquele garotinho corajoso e desbravador, em meio a beleza surreal do local, que também lhe causava temor, encontrou segurança para desfrutar daquele momento somente nos braços do seu pai.

Foi uma lição e tanto sobre a segurança que desfrutamos nos braços do Pai celestial. Quantas vezes sentimos que sabemos tudo, que somos independentes, que nossa braveza e coração desbravador nos bastam. O lugar onde o Kallel percebeu a segurança que os braços de seu pai lhe conferiam não foi em meio a trilha, onde ele podia sentir autoconfiança - a trilha em nada se comparava aquilo que desfrutamos ao pé da cachoeira.

Quando chegamos ao ápice da nossa caminhada, no momento mais deslumbrante da caminhada, aquilo causou temor no coração do pequenino Kallel. E somente ali ele percebeu a segurança que os braços de seu pai lhe conferiam. A experiência do local, repito, era indescritível, porém, ao pequeno Kallel só foi possível desfrutar aquele momento enquanto seguro nos braços do pai.
Creio que assim somos nós nos momentos mais deslumbrantes da vida - esses momentos em que ficamos extasiados e maravilhados com o mistério divino - o temor nos toma o coração. No entanto, isso nos faz reconhecer que o melhor lugar do mundo para vivenciar o momento é quando nos encontramos escondidos, sentindo-nos seguros, nos braços do nosso Pai Celestial.



 Cezar Flora
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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Invista no Reino, invista em pessoas


     Investir em algo que não me trará retorno aparenta ser um bom negócio? Creio que não. No entanto ao olharmos para os valores do Reino de Deus alguns itens da lista sobre investimento não nos trazem qualquer afirmação de “lucros” se assim pudéssemos denominar. 

     Serei mais específico. Investir num relacionamento em que não se receba algum benefício em troca não é legal. Certo?! Talvez. 

     Ao falar sobre investir no Reino de Deus logo vem a mente, dinheiro, ofertas, dízimos, como se Deus precisasse. Mas investir no Reino é investir em pessoas. Mesmo aquelas que aparentemente ou nunca renderão algum tipo de “fruto”. Jesus caminhou com homens e mulheres que não tinham muito o que oferecer, e foi um exemplo do que é investir em pessoas. 

     Olhando para a Igreja hoje vejo pessoas andando, conversando, investindo naqueles e naquelas que geram benefícios. Não que isso seja errado, o problema é que sempre se cai no extremo. E o que se vê são pessoas abandonando a fé. Soldados sendo abandonados no campo de batalha. 

     Por esse motivo me convenço mais de que o andar com Cristo é pela fé e não por vista. 


2ª Coríntios 4.16-18
16Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. 17Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; 18Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.


 Rodrigo

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O ESCÂNDALO DA SIMPLICIDADE






Em determinada altura de seu ministério Jesus retornou à cidade onde fora criado, Nazaré. Chegando o shabbat (sábado), dirigiu-se à sinagoga. Naquela ocasião foi-lhe dada a oportunidade de falar, e passou a ensinar. Ao ouvir as suas palavras a multidão se maravilhava.

Considerando o contexto literário proposto por Marcos para este episódio, as pessoas presentes deveriam ter em mente o que Jesus operara em outros lugares (curas, expulsões de demônios, etc).

Enquanto Jesus falava, inúmeros questionamentos foram surgindo. "De onde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por suas mãos?" (Mc 6,2). Marcos e Mateus dizem que estas perguntas foram originadas pelo maravilhar-se das pessoas ante Jesus. Logo iniciaram-se as primeiras considerações a respeito da identidade daquele que, naquele momento, maravilhava a multidão. "Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? e não estão aqui conosco suas irmãs?" (Mc 6,3). Aquele que chamava a atenção era um homem simples, e do povo.

Mas, infelizmente, a simplicidade que envolvia a figura de Jesus tornou-se motivo para que o coração dos ouvintes se escandalizasse. Marcos diz: "E escandalizavam-se nele" (Mc 6,3). Na mente dos conterrâneos de Jesus o extraordinário de Deus era incompatível com a figura simples do homem que lhes falava. A simplicidade tornou-se escândalo, e o coração fechou-se na incredulidade.

Somos fascinados pelo fantástico! Tudo o que é extraordinário nos encanta. Porém, na grande maioria das vezes buscamos a fonte do divino em figuras ou ambientes requintados. E constantemente consideramos a simplicidade incompatível com um canal do extraordinário.

Jesus, a Revelação máxima e definitiva de Deus, assumiu a simplicidade de um carpinteiro, O Carpinteiro de Nazaré! Mãos calejadas, talvez algumas marcas de pequenos acidentes de trabalho, enfim: um homem simples!

A verdade é que a simplicidade como fonte do extraordinário nos incomoda. Buscamos os grandes, aqueles que estão em destaque, aos que, segundo nossos critérios, se tornam "a" fonte. E perdemos a capacidade de ver o agir de Deus através da simplicidade.

 Cezar Flora